sexta-feira, 18 de maio de 2012

sobre prostituição pós-moderna

Sei que já falei disto mais que uma vez, mas após ter visto este vídeo voltei a ter necessidade de fazer novas observações sobre este fenómeno que se confunde com a própria história da humanidade desde o paleolítico ao Pós-modernismo:


Há muito tempo que não assistia a um vídeo que mesmo sendo humorístico espelhasse tão bem esta realidade, e vou dar o exemplo do prédio onde habito atualmente. Na zona onde eu  moro devido à sua situação geográfica na cidade (diversas zonas comerciais, escritórios, empresas) é conhecida por ser um dos locais mais procurados por prostitutas que atendem em casa - porque sustentar chulos ou andar nas ruas já é uma coisa do século XIX - e basta folhear aquela referência da imprensa nacional, de nome Correio da Manhã, que os anúncios destes serviços nunca mais acabam, só na minha zona é meia página de anúncios. Páginas e páginas destas profissionais independentes que não pagam um único cêntimo de impostos. Uma vergonha moral e económica para este país. Segundo estimativas a prostituição representa quase 20% da economia paralela (a que não paga impostos) deste país e ninguém faz nada para que isto mude, mas em frente...
Há uns meses tomei conhecimento de uma tal de Ana, profissional dessas que mora aqui no prédio, concretamente no rés-do-chão. Para quem não pesca nada sobre o assunto, os andares mais procurados por estas profissionais são os do rés-do-chão ou andares inferiores devido à facilidade com que se entra e sai discretamente, sem a necessidade de usar elevadores, de se enganar no andar, de tocar à campainha errada a perguntar pela Ana, ou a dar de caras com os outros moradores. 
Como por aqui não é hábito falar com os vizinhos só soube disso, porque em duas ocasiões e  no hall de entrada do prédio, estranhos perguntaram-me assim muito dissimuladamente onde morava a Ana. Ora Ana é um nome muito comum - são mais que as mães - mas no café ao lado do prédio que frequento somente para jogar no euromilhões, lugar de escárnio e mal-dizer confirmaram-me as suspeitas, incluindo o dono do café que ao avaliar pelo ênfase e o sorriso com que falou da Ana, já deverá ter sido atendido por ela ali mesmo ao lado.

Um anúncio suis géneris.
Neste vídeo por entre muitas verdades que a humorista diz uma delas é sem dúvida a frequência horária dos clientes. Esqueçam aqueles que pensam que esta ainda é uma atividade noturna, pois nunca vi um cliente a entrar ou a sair de lá à noite, mas sim logo pela manhã e durante a tarde, até porque estas profissionais também precisam de tempo para elas, tempo para um jantar, para umas compras e outros afazeres da vida como toda a gente, logo têm horários. Na maioria são tipos entre os 40 e os 50 anos mas também já vi de outras idades, quase todos com bom aspecto, alguns engravatados inclusive, o que me leva a deduzir que a tipa não leva barato. Devem ser também trabalhadores independentes para aparecerem neste prédio àquela hora ou então devem-se ausentar do trabalho alegando que vão ao dentista, que vão à revisão do carro ou à loja do cidadão e depois chegam a casa ainda têm a lata de dizerem que estão cansadíssimos do dia de trabalho que tiveram, como já ouvi por diversas vezes.
Quanto à Ana propriamente dita, também já a vi algumas vezes e admito que é gira e boa, mas eu nunca seria seu cliente. Para mim prostituição... só alinho na mútua.

14 comentários:

Utena disse...

É uma das profissões mais antigas do mundo verdade seja dita e por ser descriminada muitas vezes por aqueles que a procuram não é legal!
Se fosse estas mulheres seriam mais protegidas (pelo menos as que não atendem em casa) e muito dinheiro entraria nos cofres do estado.
Mas já diz o ditado... o fruto proibido é sempre o mais apetecido...

Beijo

Joana disse...

Aqui na zona onde moro não se viam prostitutas nas ruas, mas nos últimos 2 anos e dado a crise, é frequênte vê-las à beira da estrada e para elas por lá continuarem é porque têem clientes. Acho degradante.

Beijinhos

Ulisses L disse...

Tocas aqui num ponto que me chateia solenemente:
-Uma vez que, embora proíbida, a prostituição é tolerada, porque não legalizar e regulamentar?

Alias, partilho esta mesma visão com outras actividades, como por exemplo, o trafico de estupefacientes.

Uma vez que proibir não resolve o problema e apenas o agrava, causando escaladas na criminalidade e lucros altissimos para os traficantes, porque não legalizar e regulamentar? E, quanto aos moralistas, deixo uma pergunta:

-Quantas pessoas morrem em Portugal, por ano, por causas relacionadas com consumo de drogas ilegais? E quantas por consumo de tabaco e alcool?

Já lá diz um ditado antigo, ou há moralidade, ou comem todos...

:)

Martini Bianco disse...

Utena,

O facto de não ser legal é prejudicial para ambas as partes, seja para a segurança delas, dos clientes e do governo que não amealha nada com essa atitivade. Nunca houve vontade para fazer o que os países decentes da Europa como a Alemanha, a Holanda e a Suiça já fazem.
Viva a precariedade, viva a economia paralela... o espelho deste país.
Beijo


Joana,
É verdade. São nos momentos de crise que esse fenómeno é mais visível. Basta ir pela A8 que vai de Lisboa a Leiria e certos trechos daquela via são uma autêntica vergonha. Enfim, é o país que temos.
Beijinhos

Martini Bianco disse...

Ulisses,

Eu creio que isso faz parte da cultura do país. Tudo o que é assunto fracturante, salvo raras excepções como o Aborto, é sempre marginalizado.

Na altura em que legalizaram o aborto eu sempre disse que o governo tinha agido mal, pois não iria ganhar grande dinheiro com isso. A única coisa que o governo ganha com os abortos, para além da despesa que eles representam (cerca de 400 euros por aborto) é não ter que pagar subsídios de maternidade/paternidade e abono familiar, o que na mesma dá um saldo positivo para o Estado, já com a prostituição fosse de que sexo fosse, era sempre a receber.

Relativo às drogas já tenho outra opinião, pois se começarmos por legalizar as leves, não tardará que apareçam vozes para que se tente legalizar as pesadas e na rua só se veriam traficantes de drogas pesadas, as tais que continuariam a ser ilegais e isso é mais perigoso.

Ulisses L disse...

Quando falava em legalizar e regulamentar não me referia simplesmente às leves...
...referia-me a todas!

A vantagem maior seria acabar com o trafico. Claro que metade das vivendas de luxo e dos ferraris deixariam de se vender por cá, mas isso são pormenores.

Está mais que provado que a repressão não funciona. A maior prova já tem quase um século e foi a lei seca. O facto de proibir o alcool apenas levou a um aumento sem precedentes na criminalidade, sem que o consumo tivesse baixado. Pelo contrário, aumentou. E os problemas também, visto que o "Moonshine" era algo de potente...

Passa-se o mesmo em relação a todos os tipos de droga. Quem quer consumir, vai consumir. Será melhor consumir algo com algum controlo de qualidade ou as misturas venenosas que muitas vezes andam por aí?
E se, assim como assim, vai ser consumido, porque não haver algo daí a reverter para os cofres do estado?

:)

S* disse...

Faz sentido... os homens têm de ir em horários menos suspeitos para as esposas... à noite é complicado. :P

AC disse...

A prostituição consta que é a profissão mais antiga do mundo.Não concordo com o sexo pago, acho que perde a magia que poderia ter e passa a ser única e exclusivamente uma troca comercial, uma prestação de serviços, mas o que é certo é que há oferta e pelos vistos procura...

Martini Bianco disse...

Ulisses,

Creio que este país ainda não está preparado para tal. Se até na Holanda, o tal país onírico para quem gosta de drogas, já proibiram a venda aos turistas, eu creio que essa hipótese é mesmo remota.

A repressão não funciona mas uma sensibilização mais eficaz e uma justiça mais pesada para com os traficantes, isso sim funcionaria. É lamentável observar que em Lisboa se pode comprar droga em qq lugar inclusive na Rua Augusta, a polícia sabe quem eles são e mesmo assim não faz nada.

Martini Bianco disse...

S*
É verdade. Neste prédio durante o dia é alto corropio lá em baixo, muitas caras estranhas mas sempre a tocar à mesma campaínha.

AC,
Enquanto houverem consumidores haverá sempre produto, não te esqueças que muitos desses clientes da Ana, não procuram amor nem outras coisas que tais, apenas uma experiência com outra pessoa. É como o pessoal que se muda de whisky para vodka só para não enjoar.

FireHead disse...

A única diferença que eu vejo entre uma mulher que cobra por sexo e outra que não cobra para o ter é que a primeira fá-lo muitas das vezes para ganhar a vida, ou para ajudar nas suas despesas, e a segunda é aquilo que convencionalmente chamamos "vaca". E antes que me acusem de machista, esclareço que também existem prostitutos e "fodilhões".

Martini Bianco disse...

Firehead,

nem mais, que aqui não existem especiais. Eu respeito imenso as prostitutas e até creio que elas ajudam a uma certa "paz social" que não existiria caso elas não existissem, daí o meu apelo à sua legalização.

desculpe o auê disse...

Ri muito de um anúncio desses, a moça dizia ter bumbum médio.

como assim? quer afugentar a clientela? Melhor dizer que não tinha um. Depois que me formar, ela me paga e redijo um anúncio dos mais persuasivos para ela. Isso, ou plástica.

Martini Bianco disse...

Desculpe o auê,

Adorei esse sketch. A naturalidade dela, a piada dela e todas as verdades que ela diz. Quanto ao anúncio, eu escolhi um dos mais engraçados. Nestes anúncios não existe poesia devido ao limite de carateres. É tudo direto ao assunto :)

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Geo [01-07-2012]