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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

sobre a frontalidade contemporânea

Pelos dias natalícios tive a oportunidade de rever alguns dos meus amigos da "velha guarda" e outros, sabem daqueles que da última vez que os vimos ainda eram uns putos e agora já nem parecem os mesmos?! Pois alguns também eram desses e é o caso de um antigo vizinho meu que já não via há muitos anos e que me reconheceu num bar onde eu estava com outro pessoal. 
Entre muita conversa para encher chouriços, sobre a boazona que trabalha agora na tabacaria ao lado do bar e sobre futebol (ele crê que o Zbording será campeão este ano... lol), também lamentou o facto da namorada o ter deixado quatro dias antes do Natal. Tinha um daqueles namoros que vinham desde o 9º ano mas que não resitiriam à universidade. Após alguma pressão para que desenvolvesse os motivos daquele términus lá disse que teve haver com o facto da moça ter ganho alguns ou até mais que alguns quilos nos últimos últimos dois anos e aquilo já estava a lhe desagradar. Para piorar a situação ele é próximo do tísico. Disse inclusive qualquer coisa do género "mas é que se ela continuar assim daqui a uns dois anos vai mas é para o Peso Pesado", dito inclusive com requintes de sarcasmo. Eu conheço-a de vista e sei que eles não são assim um casal uniforme mas isso não é tudo, aliás por vezes isso é o menos mas nesse momento lembrei-me que também deveria haver um reality show  que premiasse as pessoas mais ignorantes e com falta de tento e acho que a maioria desses concorrentes estaria naquela faixa etária. Ia ser um fartote de rir por tanta aberração dita por aquela gente, o espelho de muitos jovens-adultos que temos hoje.
Pattaya, Thailand
Ainda tentei dar uma de psicólogo de WC e lhe dizer "Então não podes ir ter com ela e lhe dizer para começarem a fazer uns joggings ao fim da tarde e ao fim-de-semana, de modo a que o exercício seja uma parte importante da vossa relação e que traria muito bons resultados a médio prazo?!" mas a resposta deste foi perentória; disse que já não havia volta a dar e que ela passou a odiá-lo por ser um acumular de situações. Esta foi sintomática e aí eu percebi o resto. Este seria o seu primeiro Natal a chuchar no dedo e acho que ela fez bem porque existem palavras que ofendem mais que a espada afiada e porque nesta geração dos que têm agora 20 anos ou menos até, há muita gente que continua a ter grandes dificuldades em distinguir frontalidade de má educação e este rapazote é um deles. É a falta que as aulas de educação cívica que vão faltando a esta malta. Dez horas semanais para curar esta trupe, por favor, já que os pais deles, os verdadeiros culpados das aberrações que sustentam, parecem ser inimputáveis. 
Pattaya, Thailand
Entretanto liga-lhe a mãe e saem aqueles ditongos rascas que estão na moda e a cena da "cota" e se há coisa que me deixa a ferver é uma dessas. Eu nunca tratei os meus pais por "cotas", acho abusivo e desrespeitoso por mais que a palavra já estivesse na moda quando eu tinha a idade dele. Foi a educação que me deram e será essa que darei um dia aos meus filhos, caso os venha a ter, mas como o mundo está tão mau eu duvido muito que os venha a ter, só mesmo por acidente. Mas em frente. Este rapazote sofre o que o mesmo que a geração dele sofre, sejam rapazes ou raparigas, que é a falta de tento na língua sob a pretensa falsa bandeira da "frontalidade" e do "eu cá digo aquilo que penso, não sou hipócrita!". Eu já vi este filme em variadíssimas situações e nunca me esqueço um dia ter passado em frente a uma escola na zona de Alvalade quando lá morava, e ter ouvido de umas miúdas do secundário a responderem a umas provocações com o pior vernáculo cavernoso que possam imaginar... às 10 da manhã! Creio que pertencerão a uma geração repleta de relações interpessoais deficientes, violentas, desrespeitosas e psicóticas e no caso deste, só não o chamei de "atrasado" por puro tento na língua, tento esse que ele parece nunca ter manifestado no modo como tratou a antiga namorada, mas pode ser que um dia seja tratado da mesma maneira por uma outra que venha a conhecer e que seja tão "fresca" como ele. Talvez aí fará um flash-back e entenda porque está a ser tratado dessa mesma maneira. Esta malta dos 18-20 anos já se esqueceu das boas maneiras, do respeitar sensibilidades, do saber o que é pertinente falar, do saber estar, do não magoar gratuitamente, porque por mais que seja gratuito magoar; nunca ganharão nada com isso. E depois o meu pai é que costuma dizer que a minha geração é que é uma geração de malandros e de gente que não tem educação. Que ele não conheça a geração seguinte...

17 ecos:

Ricardo disse...

Há um ano e tal falei exactamente sobre isso xD.
Tenho 22 anos e eu próprio acho que há muita falta de respeito.
Como disse nesse tal post, as pessoas às vezes desculpam-se com a frontalidade para serem desagradáveis, e esperam que ninguém perceba.
deixo aqui o link se quiseres ir dar um olhinho http://toughtbubble.blogspot.com/2010/08/frontalidades.html

AC disse...

São coisas bem diferentes, frontalidade e má educação, mas olha que muita gente confunde os dois.
Sabes faltou-lhes a educação de uns pais, e como a minha mãe diz...tomaram chá à colher!!

beijo* Martini boy

Joana disse...

Esses meninos e meninas que têm agora 18/20 anos cresceram a não saberem o que é respeitar os pais. Porque aos 3 anos já lhes batiam e os pais ainda achavam piada. Não sabem respeitar os outros nem eles próprios. Infelizmente está a ser criada uma geração sem valores e se isto agora está mal, daqui a uns anos ainda vai ser pior.

Quanto ao rapaz em questão, concordo contigo, acho que mais cedo ou mais tarde alguém lhe vai fazer. Não me parece é que faça uma associação de acontecimentos. Infelizmente.

beijinhos

Martini Bianco disse...

Ricardo: Folgo em saber que partilhas da minha opinião, por que de tanto ver este tipo de situações a ocorrer, qualquer dia passo-me. Eles não se tocam e não sabem o quanto ridículos são. Já li o teu post, muito ilucidativo da mesma situação.

AC: Já pelas minhas bandas se costuma dizer que comeram outra coisa... às colheres :)
Beijos AC girl

Joana: É verdade e o problema é mesmo esse. Um dia alguma lhe deita abaixo daquela maneira e ele pensa que aquilo também é correcto e volta tudo ao mesmo. Eu sei que os pais desta gente tiveram uma educação diferente da que lhes deram e creio que a diferença foi para que eles crescessem mais livres e "frontais" mas ao ponto de criarem bestas sociais?! Acho que existe uma fase em que se pode cortar e dizer "chega". Eu vou estar atento, caso um dia me veja confrontado com alguma situação semelhante.
beijinhos

Utena disse...

E depois nós é que éramos a geração rasca.
Sempre fui frontal... sempre disse o que penso e nunca faltei com o respeito a ninguém...
Por isso é que num dia destes ia no metro e tirei um emberbe do lugar por uma orelha porque se recusou a dar o lugar a uma idosa e só não levou um pontapé no traseiro na saída da estação porque não me deixaram...
Dasse falta de paciência.

FireHead disse...

Eiii também não podes ser radical! Eu também chamo os meus pais de "cotas" e não o faço para gozar com eles. Ou será que chamar-lhes "velhos" seria mais simpático?

"Esta malta dos 18-20 anos já se esqueceu das boas maneiras, do respeitar sensibilidades, do saber o que é pertinente falar, do saber estar, do não magoar gratuitamente, porque por mais que seja gratuito magoar; nunca ganharão nada com isso. E depois o meu pai é que costuma dizer que a minha geração é que é uma geração de malandros e de gente que não tem educação."

Subscrevo. O problema é que eles não podem ter-se esquecido de algo do qual nunca tiveram conhecimento... Embora pessoalmente falando, há situações em que se as coisas não vão por bem, têm necessariamente que ir por mal. Tal como um balão, de tanto encher acaba-se sempre por explodir.


PS. Fotos da Tailândia? Também já lá estiveste? Tenho saudades daquele prato que era arroz chao chao dentro de meio ananás... tão bom e só custava cêntimos... "Sodádi, Sodádi"...

Rui Coelho disse...

Ela acabou com ele mas o motivo foi ela estar gorda? Não entendo.

Que ele te diga isso a ti, essa do peso pesado, não me choca, em privado, entre homens e entre mulheres, todos dizemos algumas parvoíces, mas se bem entendi o puto tem 18 anos, o que nos homens da nossa geração equivalia à idade mental de 16 e agora de 13 ou 14. Chocava-me é que o dissesse directamente à miúda, se calhar fez isso. Eu cá fiz e disse muita merda quando era puto. Just kids. Mas a merda que fiz raramente foi para magoar, pelo menos conscientemente. Era puto e brincalhão, não levava a vida a sério, só isso.

Concordo que estes putos hoje em dia estão muito mal preparados e educados.

Que cena é essa das fotos da tailândia?

Carolina Tavares disse...

As fotos são interessantes, mas elas ¨parecem¨ que não tem relação com o texto.

Tens razão, mas acho que gente cretina como este cara sempre houve, aqueles que mandam a namorada de anos às favas, por nada... na verdade ele se encheu dela, a relação perdeu a graça. Mas foi ela que ganhou um presente e não sabe, resta saber se aprendeu a lição, de não se meter com cretinos.

Penso que está pior, o desrespeito ao ser humano, nas diferentes esferas, e que a tendência é piorar, como tende também a aumentar o individualismo.

Martini Bianco disse...

Utena: Eh lá valentona :) Essa é que é a verdadeira diferença. Gostava de ter assistido a esse cena no metro :)


Firehead: Já eu não os chamo nem de um a coisa nem de outra e não quer dizer que eles sejam inflexíveis com esses termos.
Quanto ás fotos da Tailandia, é um dos objetivos para este ano, mas está caro para além de daqui para a frente ilustrarei os meus posts com paisagens e não com mulheres.

Martini Bianco disse...

Rui Coelho: Um dos motivos mencionados foi esse, e dito com bastante sarcasmo, o que fica sempre mal naquelas relações com quase 4 anos.
Ele tem 20 anos e eu tb sei que quando tinha aquela idade não media tudo o que dizia e envergonho-me de algumas coisas mas existem limites na liberdade de discurso, por respeito a terceiros, acho eu.
Relativo às fotos da Tailandia, ando a estudar a hipótese de lá ir este ano, e será com paisagens q ilustrarei os posts neste canto daqui para a frente.

Carolina Tavares: A cena das fotos já expliquei nos comentários anteriores e relativamente ao post, concordo com a sua visão e não sei se tem haver com um maior individualismo mas esta nova geração está a ir por caminhos muito cinza. isto preocupa-me.

Mariza (P.Gira) disse...

Bom e com umas fotos despertas o interesse de meio mundo que passa aqui. Mensagem subliminar de quem acabou de vir de lá, está lá ou vai para lá? :D

Quanto ao tema em si, dá para horas de debate que nunca mais acabam. Mas de facto há um segmento, bem grande, desta faixa etária que mexe com os nervos em todos os sentidos. Às vezes só no estar (que equivale a não saber estar).

Eu lido com alguns profissionalmente, como colegas e como clientes, ao ponto de sem lhes ver a cara, apenas a ouvi-los ou lê-los, conseguir acertar a década em que nasceram.

Tenho a teoria que o pessoal do final da década de 80 e de toda a década de 90 tem forte pancada, vê-se tão grande e invencível que quando lhe surge uma adversidade corriqueira tem autênticas paragens cerebrais. E estas, face à solução possível apresentada por outro que procuram, podem torná-lo:

- arrogantemente agressivo - Mas afinal está aqui a fazer o quê? Não quero saber se a solução é B. Eu quero A, e agora? Arranje forma ou alguém que me dê A, já!

- arrogantemente estúpido - Pois não sei o que é ou como se faz isso. Mas também nem quero saber. Quero é ter isso resolvido.

Ou

- arrogantemente incrédulo - Tem a certeza que é assim tão simples o que tenho que fazer? Não me parece que possa ser. Mas se é assim, você podia fazer isso por mim.

Como esperam sempre que as coisas lhes apareçam feitas e à sua maneira é natural que quando isso não acontece demonstrem toda a sua 'frontalidade', porque não engolem sapos, nem são hipócritas e são livres de dizer/fazer tudo o que lhes dá na gana, mesmo que para tal passem por cima e desrespeitem os outros.

Aplicando esta forma de estar às relações afectivas, tendo em conta que cresceram sempre bombardeados por imagens de ideais de homens, de mulheres e de estilos de vida que se não forem seguidos ficas rotulado de desalinhado, é natural que havendo uma fuga a estes padrões por parte de um dos elementos do casal (principalmente quando mulher) haja frontalidades dessas como a do teu amigo.

Mas para bem da verdade convém defender que há quem seja de décadas anteriores, que querendo ficar preso na juventude (porque envelhecer não faz parte da sua equação de vida) também entra muitas vezes neste registo. E se quiseres é só dizeres que posso contar uma ou outra história de comportamentos frontais dos mais velhos neste mesmo registo.

Joana disse...

Não sei o que comentar...
Já todos disseram o que eu ia escrever e estou de acordo com a maior parte!
Eu vejo miúdos a falar com os pais de uma maneira que se eu hoje mesmo com 27 anos fala-se com os meus levava logo um estalo!
E olha que já tenho a minha independência mas Educação é para toda a vida!

Beijinhos!!

Martini Bianco disse...

Mariza: É uma mensagem de quem gostaria de ir parar lá brevemente e anda no entretanto a estudar as hipóteses :)

Da tua exposição realço sobretudo a arrogância e a prepotência deste rapaz e de muita gente da idade dele, tanto nesta conversa como em outras que decidi não postar. Eles pensam-se os reis do universo, tanto no discurso como na gesticulação e creio que um dia que acordem para a vida terão imensos problemas a nivel de abordagem.
Também concordo que a culpa muitas vezes é dos que "não querem envelhecer" e aceitam tudo de animo leve, sem saber que estão a criar autênticos monstros sociais.

É obvio que gostaria de conhecer mais casos de pessoas frontais que decerto conheces e sabes contar :)

Joana: Exatamente, a independência conquista-se e a educação ou falta dela é para a vida toda e eu também se usasse o excesso de "frontalidade" com os meus pais, talvez hj ainda levasse uns estalos :)
Bjs

Carolina Tavares disse...

Esta expressão que usaste saltou-me aos olhos, ¨um casal uniforme¨. Vou roubá-la. A qualquer momento talvez a use. De todo o texto isto foi o que fiquei a pensar, há dias.

Bjs

Carolina Tavares disse...

Voltei e li a explicação das fotos. Sabe de uma coisa, aquelas mulheres me deixavam com um pouco de tesão. Explico. Não sou bi. Mas é tesão de ti, da tua testosterona, do macho que és.

Quer saber, as favas com tanta censura, me faz lembrar a história da repressão militar... aff tanta repressão, para quê?

Seja você, sempre. Prefiro. Quando eu não gosto de algo por aqui, eu dou uma volta e volto. Resolve. No mais somos amigos, e não trepamos, então para que eu me estressar. Como dizem o povo do norte, ¨entendi não essa tua decisão¨.

Mariza (P.Gira) disse...

Já que queres conhecer estou a preparar a história, mas se não te importares vai ficar é o meu espaço (com referência ao teu, claro está!).

Já abusei demais desta caixa de comentários :)

Martini Bianco disse...

Carolina: Esta decisão deve-se a algumas situações "off the record" que depois me dão trabalho a explicar, me fazem perder a paciência e até a vontade de postar outras coisas. Assim, quanto menos coisas houverem para me criticarem melhor eu estou pois assim não dou azo a mais discussões. Longe vão os tempos em que eu "alimentava" brigas só por causa de diferentes opiniões. Agora é como tu dizes "é do modo que eu menos me estresso".

Mariza: Na boa! :) Fico à espera então :D

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