05 Fevereiro 2010

Marketing

Hoje antes de chegar ao trabalho e como ainda era cedo acabei por ficar um pouco a observar pela vitrine de uma livraria e os seus títulos mais recentes e achei piada a um livro de marketing cujo título era - "Como aproximar um produto do consumidor".
Uma frase como título num livro com mais de 100 páginas. Saí dali a pensar "Como aproximar um produto do consumidor? - Simples: "Baixem os preços!", especialmente no que toca a livros. Este custava 12 euros.

04 Fevereiro 2010

Rádios Portuguesas

Eu lembro-me dos tempos em que morava em Londres e na falta que me fazia ouvir a nossa rádio, ouvir as nossas notícias em direto, alguns relatos dos clássicos de futebol, até alguns locutores e comentadores por quem eu tinha alguma admiração. A rádio em Londres é péssima, com o dobro da publicidade da nossa e radialistas que gostam matracar até mais não, foi aí que notei que a nossa rádio era mais diversificada que a britânica. Nessa altura ouvia as rádios tugas através do site tvtuga.com, que disponibiliza as rádios nacionais, locais, e alguns canais experimentais de TV portuguesa ainda que raramente transmitissem alguma coisa. Entretanto voltei e deixei de precisar do tvtuga, no entanto o meu despertador ainda é a rádio pois odeio sons de sirenes e telefones para me acordarem. Programo para que seja a rádio a ecoar à hora certa e me acordar, mas cada vez pondero mais voltar às sirenes e aos telefones a tocar visto que o que me tem acordado têm sido tesourinhos deprimentes e saudosistas do passado. Tal como no karaoke em que vejo as pessoas sempre a cantar as mesmas coisas e daí que passei a evitar esse género de recriação, também a rádio continua assim. Já é insuportável acordar ao som da "Amália hoje" e sons do passado como Rui Veloso, Heróis do Mar, Xutos, GNR e aquela do "papel principal" que nem sei quem canta, apesar de saber que alguns desses artistas até têm qualidade, mas visto que quase desde puto que os ouço, deixei de os tolerar. Que se passa nas rádios generalistas deste país? Porque insistem em bater sempre na mesma tecla?
As rádios que mais ouço são a Radar e a Oxigénio e é pela net mas como não fixo as frequências no rádio despertador é normal colocar numa rádio com pouco ruído ou boa sintonização, que são normalmente a Antena 1, RFM ou TSF e são logo estas que abusam nas velharias. Existem tantas bandas em Portugal e em português que precisam de divulgação e esses "canalhas" insistem em passar sempre as mesmas coisas. Isto não é aceitável nem democrático. Outra coisa, saibam que a grande maioria das pessoas que ouvem a rádio não precisam de saber como está o trânsito, se está entupido na segunda circular ou na VCI, se está complicado a partir da segunda ponte do Feijó ou na reta dos comandos da Amadora (que nome pomposo!) nem querem saber a cada 15 minutos se vai chover ou fazer frio hoje, até porque é inverno e o estranho seria dizerem que hoje faria 40 graus à sombra. Poupem-nos!

01 Fevereiro 2010

Escapes do Olhar IV

Olivia Drout
Atitude, encantamento, relaxamento e liberdade..

29 Janeiro 2010

O mérito não usa fato

Steve Jobs é o um excelente exemplo de que a inteligência, o profissionalismo e o sucesso nada têm haver com a apresentação.
O homem voltou ontem a aparecer (ele que odeia a exposição pública, como qualquer pessoa com mais de um neurónio na cabeça) para apresentar o novo e revolucionário computador da Apple, o ipad, e dispensou qualquer formalidade no vestuário. É por estes pequenos pormenores que se vê a categoria das pessoas.
Ás vezes ponho-me a pensar que a maioria das pessoas brilhantes que eu conheço, tanto na minha vida pessoal como na vida que vejo através dos media, aqueles que mais se destacam pela positiva quase sempre recusam qualquer tipo de formalidades, seja no vestuário, nas maquilhagens e outros adereços insuportáveis que destroem a simplicidade natural das pessoas.
Lembro-me da outra personalidade brilhante da tecnologia, Bill Gates que também prefere a camisa e o pulover ao fato e gravata, uma mente brilhante que nem terminou a sua licenciatura pois tinha coisas mais importantes para criar e desenvolver do que pensar no seu título académico. Conseguiu-o com brilhantismo e distinção.
Da mesma maneira penso nos milhões de vigaristas que pululam por todo o mundo nas mais diversas áreas, desde a política, a economia, o futebol, o cinema e a música até aqueles ilustres desconhecidos que passeiam de fato nos seus descapotáveis, e das mulheres vazias que desfilam à noite em vestidos de gala nas passereles, nas cerimónias, até por vezes em simples jantares de amigas, o quão banais e ridículos são.
Infelizmente a sociedade industrial criou padrões de vestuário e adereços, ditos "apropriados" para cada ocasião, começando assim a acabar com a liberdade individual das pessoas. A sociedade mediática apenas aprimorou e abrilhantou esse factor mais um pouco e é por isso que hoje vemos as maiores aberrações, enfeitadas da cabeça aos pés, quais deuses gregos da modernidade mas que mal abrem a boca, ou se lhes perguntarmos qual o seu mérito, ficamos ou sem resposta ou perplexos com o que ouvimos.
Assim sendo louvo o facto de ainda existirem pessoas como Steve Jobs, que continuam a revolucionar o modo como interagimos com as novas tecnologias, e que com o seu carisma e atitude dão uma bofetada de luva branca a todos os que escondem a sua banalidade e vazio mental atrás de um conjunto Armani ou de um vestido de gala.

22 Janeiro 2010

O príncipio do fim...

Esta notícias (aqui) exemplifica na perfeição o quanto a civilização está degradada.
O telemóvel com vibrador (e não falo do vibrador normal dos telemóveis) e a invenção da boneca insuflável com mais meia-dúzia de capacidades que a anterior - que incluem zonas sensitivas, entradas operacionais, algumas palavras retóricas, a possibilidade de trocar a cabeça, e um sem fim de adereços à escolha do cliente, simboliza que esta boneca em pouco tempo deixará de servir apenas para brinquedo sexual mas para ir muito além disso. São as últimas novidades daquilo a que chamo o príncipio do fim da civilização e a consagração da cultura egocêntrica e desumana de uma espécie que de humana tem cada vez mais pouco. Quando há mais de 10 anos vi um filme chamado "demolition man" na altura em que não tinha alternativas ao cinema mainstream, uma cena desse filme nunca me esquecei - o facto das "pessoas" desse mundo "mais avançado" terem sexo através de um capacete e por um género de telepatia. Hoje em dia isso já vem sendo possível e até já há muitas talentosas strippers a publicitarem sexo virtual pela webcam. O que há 15 anos atrás era ficção, hoje em dia já vem sendo realidade e com os avanços tecnológicos creio que em menos de 20 anos já veremos casais desses nas ruas a passear na rua, nas compras, a discutir, e quando o "boneco" discutir demais o humano carregará logo no OFF e já está, acabou-se a conversa e volta a harmonia. Ele manda, o boneco obedece, a ideia é esta. Serão os animais de estimação deste século sem dúvida. Coitados dos poucos cães e gatos dessas décadas que se aproximam, serão novos inquilinos do Jardim Zoológico.
Saramago, há dias dizia que de passo a passo estamos a evoluir para o grunhido, pela forma como vamos comunicando hoje em dia, com abreviaturas, simplificações e anglogfonismos. Fala da pobreza das palavras e dos diálogos mediocres qua a tecnologia simplificou.
Mas porque razão isto está a acontecer? Deixamos de acreditar nas outras pessoas? Já não vale a pena confiar? Como serão as relações humanas daqui a 40 anos?
Aconteça o que acontecer, nunca nada igualará o toque mútuo, a riqueza do diálogo, o afagar dos cabelos, a ternura do abraço, o ouvir das batidas, o sabor do beijo, o escaldante do sexo nem a magia do olhar.
Sociedade, para onde caminhas?

19 Janeiro 2010

A degradação da Europa

A recente onda de xenofobia que se vive em Itália aqui não é dissociável do mais grave problema que ameaça a Europa - O envelhecimento da sua população, e a consequência disso é a emigração massiça de que tem sido alvo especialmente nas últimas 3 décadas, a qual também afecta Portugal.
Durante séculos Espanha, Portugal e Itália foram os principais emissores de emigrantes para a América do Sul, uns mais para norte, outros mais para sul, todos procuraram no novo continente uma nova esperança para as suas vidas, fugindo da opressão, das guerras e da miséria que pontualmente fustigavam a Europa no seio dos seus pequenos povoados. Levaram consigo a sua cultura e hoje são a maioria populacional desse continente e hoje a cultura vigente è a sua, sendo que também o é devido às atrocidades cometidas para que essa conquista fosse efetivada com sucesso - a escravidão, os saques e outras torturas que provocaram durante séculos às minorias étnicas. O tempo passou e após duas guerras mundiais e o fim da Guerra Fria a Europa decidiu-se pela paz e cooperação entre todos os seus estados e micro-estados, organizações que promoveram a união entre povos de línguas e costumes distintos e conseguindo em poucas décadas transformar as ruínas de 1945 num espaço de justiça e liberdade, de igualdade entre os sexos (pelo menos no papel) um exemplo para o mundo inteiro, mas as feridas do passado nunca sararam totalmente. Pontualmente a Europa vive períodos de tensão fundamentalmente devido aos fenómenos migratórios.
O velho espírito europeu - provinciano, conservador e xenófobo nunca terminou, e é algo que assusta os próprios norte-americanos, grande parte descendentes de europeus, que chegados à América criaram uma sociedade diferente e em menos tempo que a Europa aceitaram as diferenças da sua componente populacional culminando com a eleição em 2009 de um presidente afro-americano, algo impensável de acontecer na Europa - talvez a única excepção fosse a Inglaterra.
No profundo velho continente subsistem vários problemas ligados às migrações que o tempo não tem feito diluir, bem pelo contrário, parece estar cada vez mais evidente um conflito que não terminará nunca. É o problema dos turcos na Alemanha e a forte oposição de alguns países para que este não entre na União Europeia, devido essencialmente a ser um país muçulmano, o o problema de outros muçulmanos na Bósnia, Albânia, Macedónia e Sérvia, o problema da integração dos africanos em Portugal, na Itália, dos ilegais do Leste e da América Latina na Espanha; fora os fenómenos separatistas dos bascos na Espanha, dos norte-irlandeses, dos moldavos, dos problemas étnicos na Geórgia, na Chechénia, na Macedónia, etc. E apesar desse racismo não ser evidente à primeira vista, existe em todos esses países, em todas as classes sociais, até no futebol, onde este vídeo é um exemplo claro disso.
Reportagem de um canal norte-americano sobre o racismo no futebol europeu.
Assim à primeira vista e com tantos conflitos que subsistem neste pequeno continente, à partida este não seria um local onde a emigração fosse bem recebida. Nunca foi nem nunca o será. Continua assim evidente que na maior parte dos estados, quando se trata de falar em emigração, especialmente da que vem dos países àrabes e sub-saarianos, o choque antes de ser racial é fundamentalmente cultural. Os acontecimentos do 11 de Setembro nos EUA, vieram crispar ainda mais a diferença entre o dogmatismo àrabe e o iluminismo Europeu, tornando a sua convivência cada vez menos pacífica e quando há algum conflito,logo se levantam as vozes da intolerância europeia. Mas será que essa intolerância tem algum fundamento?
Tem algum.
No passado e quando a maioria dos Europeus foi para as Américas, África e até Ásia, tinham já um conhecimento variado sobre importantes questões que os nativos desconheciam. Tinham a noção da sociedade, da organização, das técnicas agrícolas e industriais.. e das armas. Hoje em dia o sentimento na Europa é que aceitar emigração africana e àrabe não trás nada de bom por diversas razões:
- Não falam a língua dos países que os acolhem.
- A esmagadora maioria dos emigrantes são analfabetos ou com fraco grau de instrução, logo serão sujeitos aos piores trabalhos que ninguém quer fazer.
- Vêm quase sempre de forma ilegal, algumas vezes em embarcações atoladas e em condições sub-humanas, como os que chegam às ilhas de Tenerife, na costa ocidental africana (Espanha) ou Lampedusa (ilha italiana justo à costa norte de África).
- Ao virem de forma ilegal se cometerem um crime, ninguém os poderá identificar sem ser em flagrante, pois não têm registos, logo a apreensão por parte dos locais face a eles.
- Acabarão por se criar guettos residenciais onde estes sem apoios terão de sobreviver, em condições mais uma vez deploráveis.
- Têm uma cultura social e religiosa diferente da Europa e são pouco receptivos às mudanças sociais.
- Serão explorados pelos empregadores e não terão nem seguros de trabalho nem assistência médica.
- A quase totalidade dos ilegais que chegam à Europa são homens e por virem quase sempre sem família, poderão criar-se redes de prostituição também ela ilegal e o aumento das violações (como já acontece em Itália). Entre outros motivos...
Creio que só existem três formas de combater eficazmente o problema das emigrações indesejadas e por forma a que estas não sejam exploradas, que é o incentivo à natalidade na Europa que ameaça a sua existência, a proteção aos emigrantes que já cá estão e as ajudas e programas de apoio nos seus países, pois se isto for feito os fluxos migratórios diminuirão, até porque na minha opinião quase ninguém emigra porque o quer, mas sim porque precisa.

17 Janeiro 2010

Peculiaridades do Portuga

... Gente que fica escandalizada por ter de trabalhar num fim-de-semana. Não entendo. Como trabalho numa empresa internacional que desconhece feriados, ou fins-de-semana e por trabalhar 24 horas por dia, é habitual ouvir as queixas dos meus colegas sobre ter de vir trabalhar ao fim-de-semana. Á partida no meio empresarial até é bom fazer um fim-de-semana de tempos a tempos, porque teremos dias de semana para folgar, como é o nosso caso, mas isto para a cabeça do tuga é demais. Aqui quando se trabalha no fim de semana, temos a 6a feira e a 2a feira de folga, o que é ótimo para fugir à confusão das estradas, ruas, edificios públicos, etc e dá jeito para resolver assuntos pessoais (combinar um encontro com alguém, ir ao dentista, às finanças, resolver burocracias, etc). Só entendo esta preocupação em relação aquele pessoal que tem filhos, e não tem onde os deixar ao fim-de-semana se tiver que trabalhar, agora pessoal solteiro e sem filhos? Não há coisa que lhes irrite mais, mas logo depois são capazes de dizer que nem saíram de casa no fim-de-semana porque chovia ou fazia frio, ou simplesmente porque não apetecia e alguns até descaem a dizer que passaram esses dias de lazer a ver as séries e filmes de domingo à tarde. É preciso ter lata. Que o português é um tipo comodista e que adora rotina eu já sabia, agora queixar-se que não quer passar fins-de-semana no trabalho porque teóricamente terá uns dias wild pela frente repleto de aventuras ou práticas de bondage e depois ouço isto... C'mon! O que eles gostam é de não fazer nenhum ao fim-de-semana e estarem em casa, e depois quando chegar a 2a feira, andarem entalados no trânsito, no meio das multidões, nos elevadores a se queixarem de tudo e de todos espalhando o seu mau humor.

Já ecoaram por aqui...

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