20 Novembro 2009

O futuro é já hoje

Não é por trabalhar na área da informática e estas questões terem um significado importante para mim que hoje falo no sistema que dentro de 6 meses mudará toda a nossa forma de ver e trabalhar no Ciber-espaço, - Falo do Chrome OS, e é um sistema web based quase na sua totalidade.
No Chrome OS, os documentos criados pelo utilizador são automaticamente guardados na “nuvem” e nada ficar armazenado no computador. Por exemplo, ao usar o editor de texto simples do Chrome OS (que se chama Notepad, tal como o do Windows), o documento criado é automaticamente guardado no espaço dos Google Docs.
Já muitas pessoas perderam dados importantes que tinham nos seus computadores, como documentos, fotos, músicas e filmes e apesar deste sistema ainda estar a dar os primeiros passos, já podemos concluir que muito em breve deixaremos de precisar de discos internos ou externos nas nossas máquinas (aparelhos mecânicos, logo muito falíveis, tal como é um carro, por exemplo). Ao desaparecerem gradualmente estes sistemas, os nossos computadores serviram apenas de cache e arranque, para as web applications. O Word, o excel, o movie Maker e a maioria das aplicações Microsoft, que ainda são as mais usadas, deixarão de existir fisicamente no nosso processador, mas sim via web based, o mesmo digo da nossa "tralha" toda.
Eu já a algum tempo passei a descarregar fotos e outros ficheiros para estes suportes web, pois já perdi muitos dados neste sistema tradicional, e os seus servidores são seguros, no Chrome OS existirá um género de disco back up que nos permitirá recuperar dados eliminados.
Os inconvenientes que vejo, têm haver com o espaço que teremos para guardar arquivos como filmes e outros ficheiros de grande capacidade de espaço. Outra será que toda a nossa vida cibernética deixará de ser "privada" nos nossos computadores, mas sim guardada nos mega servidores do Google, algures em Sillicon Valley ou em outro local qualquer. E um bug nos servidores, um ataque ou uma explosão num desses reatores? Não sabemos ainda, mas neste complexo mundo cibernético, feito de biliões de ligações e partilhas já nada é totalmente nosso.

13 Novembro 2009

Who cares? É sexta!

video

Como diria a inspiradora e genuína Kitty Fane, who cares afinal de contas é sexta-feira!, e apesar de ser dia 13, é o início de um período que espero de relaxe e de distância a tudo o que é rotina, com ou sem chuva, recheado espero de coisas simples e fúteis que fazem tudo ficar mais leve e harmonioso. Fica aqui algo para ilustrar o sentimento que preciso, deixado por umas teenagers francesas, com simplicidade, naturalidade, com piada, sem adereços nem maquilhagem. É deste tipo de teenagers que eu curto, e obviamente ao som das Plastiscines. Bom fim-de-semana.

12 Novembro 2009

Maldades da rotina

A rotina é algo que muitos gostam, outros odeiam. Eu sou um dos que foge dela, pois acho que desgasta, desmoraliza e mata aos poucos. Numa grande cidade, pelo menos à escala portuguesa, como é Lisboa, não deveria ser fácli dar de caras sempre com as mesmas pessoas, à mesma hora, e no mesmo local. Não deveria mas ainda acontece. Como ultimamente e como fuga à rotina tenho trabalhado nos horários noturnos da agência a sair às 6 e meia da manhã, quando apanho o primeiro metro, a azáfama já é algo evidente naqueles corredores, misturada com o frio matinal, e esta semana tenho encontrado sempre três pessoas que se dirigem no sentido oposto ao meu, e daí fixar-lhes a tromba. Já na semana passada aconteceu, e isto é perturbador. Há um tipo alto e loiro com aspecto de ucraniano que passa a grande velocidade, como que parecendo atrasado aquela hora. Há uma jovem que aparece uns metros depois de ele passar, que até creio que trabalha na mesma empresa que eu. Para ela já é inverno puro tal a quantidade de casacos e adereços que usa. Até olhamos naquela, "eu já te vi em algum lado" mas tentar outro tipo de abordagem num local tão romântico como um túnel de metro, mais uma vez aquela hora, e eu já a precisar de descanso, tudo menos isso. E sim, chegado ao momento de passar o cartão nos acessos tem sempre saído a mesma velhota, sempre com a sua mala com rodas talvez para alguma compra bem matinal. Em Londres seria dificil ver alguém mais que uma vez na vida, fosse em que lugar fosse, a não ser que soubessemos quem era e por onde andava, ou então que alguma sereia que nos tivesse ficado na retina e que saísse sempre na nossa estação à hora do costume, ou algum daqueles malucos que não saem da frente da estação, de outra maneira seria uma tarefa bem difícil, mas aqui ainda não é bem assim. Eu topei-os e eles toparam-me. Talvez daqui a pouco quando sair os volte a encontrar. Aqui ainda não se consegue passar despercebido e a rotina impera por mais que dela queria fugir.

02 Novembro 2009

outros tempos, outros sons

Há dias numa conversa solta, surgiu um tema, aliás um som que me recordou os bons tempos da adolescência. Guano Apes, uma banda que se tornou um culto em portugal, e da qual eu não escapei e tenho a certeza que também a maioria das pessoas que hoej têm entre 25 a 30 anos. Corria o ano de 1999 (já lá vão 10 anos..) quando esta surgiu nas tv's e nas rádios e lembro-me que estava no 12º ano e foi um dos poucos cd's originais que comprei até hoje.

A banda de Gottigen foi um caso sério de popularidade na Europa, e especialmente cá em Portugal, produzindo novas canções como "Get Busy" e "Maria", que viriam a ser escolhidas para participar no concurso nacional alemão "Local Heroes" do canal de televisão VIVA, em q996. Depois de vencidos vários concursos gravaram o vídeo da canção Open Your Eyes, primeiro single do álbum Proud Like a God, que se tornaria, mais tarde, num hino para banda. Corria o ano de 1997 e o álbum, após poucas semanas do seu lançamento, atingia o seu auge nos tops alemães. A sua qualidade não passou despercebida nos países vizinhos e, por isso, "Lords Of The Boards" foi escolhido para ser o hino oficial do campeonato mundial de snowboard na Áustria em 1998. "Rain" fora escolhido para segundo single e mostrou o lado balada dos Guano Apes. "Lords Of The Boards" foi o terceiro e último single extraído do disco.

Não satisfeitos com todo o seu sucesso nos países de língua oficial alemã, decidiram apostar no mercado internacional, decorria então o ano de 1999. Mercados como o dos Holanda, Polónia e Portugal foram totalmente conquistados, sendo que em terras lusas atingiram galardão de Platina.

Apesar de todo o sucesso alcançado, o grupo decidiu não descansar, começando logo a gravar temas para o sucessor de Proud Like a God, muitos deles já tocados na turné anterior. Em 2000 lançaram Don't give me names, tendo como primeiro single "Big In Japan", uma cover da banda dos anos 1980 Alphaville. "No Speech", "Living in a Lie" e "Dödel Up" foram os singles seguintes. Percorreram muitos festivais europeus e até voltaram aos Estados Unidos, fazendo a primeira parte dos Creed em algumas ocasiões.

Os anos passaram e acentuou-se o desgaste típico das bandas rock, a dificuldade em variar nos temas e nos ritmos, especialmente em uma década em que o hip hop e o R&B tornaram-se mainstream e roubaram espaço às outras correntes.

O seu rock festivo, as suas guitarras elétricas cortantes, a voz de Sandra Nasic, ora melódica outra agressiva fizeram dos Guano um dos clássicos rock da transição entre uma década e outra, e é com pena muita nunca ter ido a nenhum concerto deles, mas a banda anunciou que está de novo no activo, daí que creio que já faltou mais.

27 Outubro 2009

Não somos nomes, apenas números

Porque não usamos números nos nossos nomes, se para esta sociedade não passamos mais do que isso mesmo? Um número qualquer, divisível pelas fórmulas que os analistas entenderem? Deram-nos nomes, primeiro baseados em estrelas, em Deuses, depois a lugares, plantas, animais e por aí fora, mas eles esgotaram-se rapidamente, e hoje em qualquer esquina passa uma Ana, passa um Pedro, passa uma Inês, passa um Ricardo, passam homónimos meus também, porque não passam números, visto que eles são todos individuais e infinitos? Que queriam os classificadores para nos darem nomes semelhantes, tornarem-nos num rebanho fácil de identificar pelos caracteres do alfabeto, esses sim finitos?! Sendo assim é ridículo termos números a acompanharmo-nos ao longo da nossa vida. Não faz sentido. O número de bilhete de identidade acompanha-nos a vida toda e esse sim é individual, em alguns casos o número de passaporte também partilha com ele a mesma fotografia e dados biográficos. Somos sócios de um clube, e toma lá mais um número, compramos um bilhete de cinema, toma lá outro! Compramos um bilhete para um concerto, mais um. Inscrevemo-nos na faculdade e durante aquele tempo, somos aquele número apenas. Roubam-nos algo, contactamos a polícia.. mais um número agregado a nós. Entramos numa farmácia, mais um número que nos dá o direito de esperar pela nossa vez, com o número 24, e de modo a que o parceiro do número 25 não nos ultrapasse nem o parceiro anterior que está distraído, mas tem o 23 não se sinta diminuído nos seus direitos, encontramos um novo emprego e logo salta o número de empregado e até na hora da morte temos um número de óbito. São tantos números diferentes ligados e milhões que passam por nós todos os dias mesmo à nossa frente, sem darmos por eles, sem sabermos que são eles que na verdade nos identificam para a sociedade. Não admira que seja a primeira coisa que ensinam às crianças, ainda antes de estas chegarem à escola, toca a familiarizá-las com esses algarismos que as acompanharão por toda a vida.
Vou tomar a liberdade de dar ao meu filho ou filha o nome de 92384356, pode ser? Talvez não, isso entraria em conflito com os sistemas informáticos, esses sim, os que verdadeiramente nos identificam.

25 Outubro 2009

Ensaio sobre a cegueira

Não li o livro porque infelizmente falta-me tempo e alguma vontade para essa tarefa, mas em relação ao filme e como seleciono os que vejo, foi uma agradável surpresa pois teve aquele condimento fundamental para me fazer gostar de um filme, o facto de me deixar a pensar sobre o assunto.
A cegueira fustiga toda ou quase toda uma sociedade. Aparece subitamente e inexplicavelmente e nem neurologistas ou oftalmologistas têm uma explicação para essa ocorrência. Aos poucos a sociedade vai deixando de funcionar. Todos aqueles que padecem dessa enfermidade são feitos reclusos em abrigo protegido mas com falta de condições físicas e humanas para o seu auxìlio e aí começa a atrocidade, exemplo do pior da natureza humana.
A Humanidade e a Sociedade bem nos tentaram moldar mas de olhos "vendados" somos de novo animais selvagens, ainda piores que os da pré-história, pois esses não tinham a consciência que os animais de hoje têm.
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Na visão do escritor e do cineasta, uma sociedade de cegos é de novo uma sociedade primata, em que a nossa única preocupação e obsessão é a busca de alimentos e o prazer sexual ao ponto de nos fazer perder a dignidade, a moral, entrar em desespero e ir até aos limites do próprio ser humano, uma outra maneira de dizermos que a nossa dignidade e humanidade só existe porque usufruímos de bem-estar e somos autónomos e quando perdemos essas faculdades, demonstramos logo a nosso instinto animal, quase sempre cruel e desumano.
Uma das ideias interessantes que tirei deste filme foi pelo facto de não tratar da Cegueira com aquele rótulo do "só se vê bem com o coração" e outras odes da literatura e cinema de hollywood, mas sim pelo seu lado físico e psíquico, de forma crua e nua, na medida em que é necessário agir antes de pensar para não morrer primeiro. Qualquer pessoa fará a intrepretação que quiser ao filme e a minha foi esta.
vemos bem quando nos relacionamos bem com os outros e contribuímos para esta sociedade, quando estamos saciados e somos autónomos e a partir do momento em que perdemos essas faculdades, logo mostramos o que de mais perverso e animalesco existe na nossa mente.
A ver!

20 Outubro 2009

prosas e micro-prosas

"Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido."
José Saramago, acerca do Twitter
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E que razão tem este homem. Não partilho em nada da sua visão política, mas estou com ele acerca das questões literárias e pensamento geral. A micro-escrita, o sms e o micro-blogging ganham terreno tal é a nossa separação face aos demais e a facilidade da comunicação à distância, tal é assim que julgo que livros tão descritivos de génios universais como Eça ou Tolstoi numa qualquer manhã deixarão de existir nas bibliotecas, para serem expostos em museus. É certo que esta nova forma de comunicação, ou deficiente forma de comunicação é o resultado da força do web e do sms (elas próprias já são abreviações do que realmente significam) que limitou o espaço aos que nunca quiseram limites à sua expressividade e qualquer dia deixarão muitos de dizer tão simples palavras como Sim ou Não, substituindo-as por S ou N. Muitos já deixaram de dizer obrigado para abreviando-o para obrig tal é a sua preguiça mental. Que é feito da riqueza da prosa, dos seus encantos e mistérios, desvendados nos capítulos seguintes, às vezes na última página apenas, que é feito da poesia dos sonetos? Um dia será apenas um rico legado deixado pelos nossos ancestrais, pois a dinâmica atual é codificar, simplificar, quase até ao extremo do imperceptível. Alguns estudiosos falam da linguagem símia, canídea ou felina, como totais abreviações de um qualquer género comunicativo que existiu num passado longínquo totalmente imperceptível para os humanos de hoje. Para lá caminhamos e um dia talvez a nossa comunicação com eles seja finalmente efectiva.

Já ecoaram por aqui...