A recente onda de xenofobia que se vive em Itália
aqui não é dissociável do mais grave problema que ameaça a Europa -
O envelhecimento da sua população, e a consequência disso é a emigração massiça de que tem sido alvo especialmente nas últimas 3 décadas, a qual também afecta Portugal.
Durante séculos Espanha, Portugal e Itália foram os principais emissores de emigrantes para a América do Sul, uns mais para norte, outros mais para sul, todos procuraram no novo continente uma nova esperança para as suas vidas, fugindo da opressão, das guerras e da miséria que pontualmente fustigavam a Europa no seio dos seus pequenos povoados. Levaram consigo a sua cultura e hoje são a maioria populacional desse continente e hoje a cultura vigente è a sua, sendo que também o é devido às atrocidades cometidas para que essa conquista fosse efetivada com sucesso - a escravidão, os saques e outras torturas que provocaram durante séculos às minorias étnicas. O tempo passou e após duas guerras mundiais e o fim da Guerra Fria a Europa decidiu-se pela paz e cooperação entre todos os seus estados e micro-estados, organizações que promoveram a união entre povos de línguas e costumes distintos e conseguindo em poucas décadas transformar as ruínas de 1945 num espaço de justiça e liberdade, de igualdade entre os sexos (pelo menos no papel) um exemplo para o mundo inteiro, mas as feridas do passado nunca sararam totalmente. Pontualmente a Europa vive períodos de tensão fundamentalmente devido aos fenómenos migratórios.
O velho espírito europeu - provinciano, conservador e xenófobo nunca terminou, e é algo que assusta os próprios norte-americanos, grande parte descendentes de europeus, que chegados à América criaram uma sociedade diferente e em menos tempo que a Europa aceitaram as diferenças da sua componente populacional culminando com a eleição em 2009 de um presidente afro-americano, algo impensável de acontecer na Europa - talvez a única excepção fosse a Inglaterra.
No profundo velho continente subsistem vários problemas ligados às migrações que o tempo não tem feito diluir, bem pelo contrário, parece estar cada vez mais evidente um conflito que não terminará nunca. É o problema dos turcos na Alemanha e a forte oposição de alguns países para que este não entre na União Europeia, devido essencialmente a ser um país muçulmano, o o problema de outros muçulmanos na Bósnia, Albânia, Macedónia e Sérvia, o problema da integração dos africanos em Portugal, na Itália, dos ilegais do Leste e da América Latina na Espanha; fora os fenómenos separatistas dos bascos na Espanha, dos norte-irlandeses, dos moldavos, dos problemas étnicos na Geórgia, na Chechénia, na Macedónia, etc. E apesar desse racismo não ser evidente à primeira vista, existe em todos esses países, em todas as classes sociais, até no futebol, onde este vídeo é um exemplo claro disso.
Reportagem de um canal norte-americano sobre o racismo no futebol europeu.
Assim à primeira vista e com tantos conflitos que subsistem neste pequeno continente, à partida este não seria um local onde a emigração fosse bem recebida. Nunca foi nem nunca o será. Continua assim evidente que na maior parte dos estados, quando se trata de falar em emigração, especialmente da que vem dos países àrabes e sub-saarianos, o choque antes de ser racial é fundamentalmente cultural. Os acontecimentos do 11 de Setembro nos EUA, vieram crispar ainda mais a diferença entre o dogmatismo àrabe e o iluminismo Europeu, tornando a sua convivência cada vez menos pacífica e quando há algum conflito,logo se levantam as vozes da intolerância europeia. Mas será que essa intolerância tem algum fundamento?
Tem algum.
No passado e quando a maioria dos Europeus foi para as Américas, África e até Ásia, tinham já um conhecimento variado sobre importantes questões que os nativos desconheciam. Tinham a noção da sociedade, da organização, das técnicas agrícolas e industriais.. e das armas. Hoje em dia o sentimento na Europa é que aceitar emigração africana e àrabe não trás nada de bom por diversas razões:
- Não falam a língua dos países que os acolhem.
- A esmagadora maioria dos emigrantes são analfabetos ou com fraco grau de instrução, logo serão sujeitos aos piores trabalhos que ninguém quer fazer.
- Vêm quase sempre de forma ilegal, algumas vezes em embarcações atoladas e em condições sub-humanas, como os que chegam às ilhas de Tenerife, na costa ocidental africana (Espanha) ou Lampedusa (ilha italiana justo à costa norte de África).
- Ao virem de forma ilegal se cometerem um crime, ninguém os poderá identificar sem ser em flagrante, pois não têm registos, logo a apreensão por parte dos locais face a eles.
- Acabarão por se criar guettos residenciais onde estes sem apoios terão de sobreviver, em condições mais uma vez deploráveis.
- Têm uma cultura social e religiosa diferente da Europa e são pouco receptivos às mudanças sociais.
- Serão explorados pelos empregadores e não terão nem seguros de trabalho nem assistência médica.
- A quase totalidade dos ilegais que chegam à Europa são homens e por virem quase sempre sem família, poderão criar-se redes de prostituição também ela ilegal e o aumento das violações (como já acontece em Itália). Entre outros motivos...
Creio que só existem três formas de combater eficazmente o problema das emigrações indesejadas e por forma a que estas não sejam exploradas, que é o incentivo à natalidade na Europa que ameaça a sua existência, a proteção aos emigrantes que já cá estão e as ajudas e programas de apoio nos seus países, pois se isto for feito os fluxos migratórios diminuirão, até porque na minha opinião quase ninguém emigra porque o quer, mas sim porque precisa.